Mitologia
Budista
Kuan
Yin,
ou “aquela que ouve os lamentos do mundo” é
o boddhisatva da Compaixão no budismo chinês. Ela
vive na sua ilha paradisíaca de P’u T’o Shan,
onde, diz-se, ouve todas as preces. Ela é tão
poderosa que a simples menção do seu nome alivia
o sofrimento e as dificuldades. Tendo optado por permanecer
neste mundo depois de alcançar a iluminação,
Kuan Yin jurou manter sua forma humana até todos os seres
atingirem a iluminação. No Japão, ela é
conhecida como Kwannon.
Apoiada
sobre uma pétala de flor de lótus, Kuan Yin é
portadora do vaso com o néctar da felicidade, do rosário
de cristal da purificação e da pedra que satisfaz
todos os desejos. É assim, com tanta generosidade e presteza,
que ela atende às demandas do mundo.
Muitas
histórias sobre a deusa da compaixão falam dessa
capacidade de compreensão da alma humana. Conta-se que
a jovem segunda esposa de um comerciante chinês maltratou
e humilhou a primeira mulher de seu marido (a cultura chinesa
permitia vários casamentos), uma devota de Kuan Yin.
O desgaste foi tanto que a primeira esposa morreu. Revoltado,
seu filho jurou vingança. Anos mais tarde, viu diante
de si a situação ideal para cometer o crime, pois
a madrasta estava longe de casa e sua morte poderia facilmente
ser atribuída a assaltantes. Quando se lançou
sobre a mulher, esta murmurou o mantra de Kuan Yin, que tantas
vezes escutou a primeira esposa proferir. Imediatamente, o filho
foi imobilizado por uma força invisível. Sob o
impacto do poder da deusa, o jovem saiu correndo e desistiu
para sempre da idéia. E a madrasta, consciente de que
não merecia ajuda, teve uma mudança radical de
atitude, procurando reparar antigos erros e reconhecendo a grande
generosidade da deidade.
Diz-se
que Kuan Yin já viveu na Terra. Era filha de um rei desejoso
que ela se casasse com um príncipe para absorver mais
poder. Mas Kuan Yin decidiu ir para um convento, onde aperfeiçoaria
as práticas espirituais. Inconformado com a decisão
da filha, o rei pediu às monjas que fossem duras com
ela para ver se Kuan Yin desistiria do intento. A princesa não
cedeu, e o rei jamais a perdoou. Já velho e doente, mandou
chamar a filha. Generosa, ela o curou com um toque de mão
(em certas imagens de Kuan Yin tem a mão removível
para ser colocada em cima dos doentes). Além disso, Kuan
Yin fez o voto de não ingressar no Nirvana – lugar
(ou estado) de suprema beatitude – enquanto um só
ser do Universo precisasse de sua ajuda.
No
budismo, ela é considerada uma entidade real, um ser
celestial que vive numa Terra Pura fora do samsara (ciclo de
vida, sofrimento e morte a que estão sujeitos todos os
seres). A ela são dedicados templos e cerimônias
de purificação, cheios de incensos, flores e perfumes.