Se
analisarmos pormenorizadamente o dollar (como moeda corrente
universal), pode-se perceber que ele traz consigo uma forte
carga de prosperidade e poder, sendo adotado em muitos países
como moeda de negociação interna e externa. Mas
a que se atribuir tanto sucesso?
A
cor verde, adotada tradicionalmente em todas as notas, representa
regeneração e é uma das representações
do elemento Terra (vegetação). O verde associa-se
em alguns casos à prosperidade, a exemplo de algumas
tradições (como na Irlanda) à festa de
São Patrício (Saint Patrick, no dia 17 de março,
significando "Dia da Sorte") que utiliza a imagem
de Leprechauns vestidos de verde (uma espécie de gnomos)
e trevos de quatro folhas (também verdes). O verde é
adotado como símbolo da liberdade e esperança,
algo que sempre se configurou como lema americano.
Na
nota de um dóllar, temos, na frente, a efígie
do presidente americano George Washington, um dos políticos
que mais lutou pela liberdade de ideais americanos. George Washington,
antes de deixar o exército, escreveu: "Não
tendo que reivindicar qualquer recompensa. Ficarei satisfeito
se tiver a felicidade de obter a aprovação dos
meus concidadãos. Compete-lhes, ainda, para completar
os meus desejos, adotar um sistema de governo que assegure a
futura reputação, tranqüilidade, felicidade
e glória deste vasto Império".
No
verso, destaca-se o famoso Grande Selo Americano: esta imagem
é composta pela pirâmide, cuja pedra da cumeeira
traz o triângulo destacado por um halo luminoso, com um
olho no centro. Esse símbolo representa "o Olho
que tudo vê" ou "o Olho de Deus" (intuição,
para alguns), símbolo muito tradicional entre os maçons
(muitos representantes políticos da época, eram,
na sua maioria, maçons, e adotavam em suas alegorias
símbolos sagrados, não deixando de fora as insígnias
do próprio país). O famoso selo dos Estados Unidos,
foi adotado por ato do Congresso Continental em 20 de junho
de 1782 e readotado pelo novo Congresso em 15 de setembro de
1789. O simbolismo por trás da figura parece evocar um
poder ancestral, pois a imagem da pirâmide sempre foi
considerada harmônica, representando a estabilidade na
matéria através da captação das
forças cósmicas. Para D. Davidson e H. Aldersmith,
pesquisadores americanos de egiptologia e piramidologia, a imagem
do selo retrata a pirâmide de Quéops como "símbolo
do Reino da Pedra, com a Pedra Apical - simbólica de
Cristo, 'a pedra angular' - suspensa do olho da Providência,
bem sobre o eixo do centro da estrutura, que assim é
representada incompleta sem ela".
A
pirâmide é composta por treze camadas, evocando
a evolução e a escalada do homem para chegar às
alturas. Na base temos MDCCLXXVI (1776), que, se somarmos, obteremos
o número 3 (criação) e logo abaixo segue
a inscrição: NOVOS ORDO SECLORUM ("a nova
ordem dos séculos"). Vamos observar a insistente
aparição do número 13, muito forte no simbolismo
do dóllar.
Em
The Secret Teachings of All Ages, Manly P. Hall também
se refere ao Grande Selo dos Estados Unidos e observa que o
estabelecimento do governo foi controlado por místicos.
Hall mostra que não só a pirâmide está
implicada no selo, mas também o simbólico e misterioso
número 13 foi incorporado várias vezes em ambas
as faces. O constante aparecimento do número místico
não parece se relacionar apenas com as primeiras colônias
que formaram os Estados Unidos, segundo Hall, que mostra sua
presença no reverso várias vezes: treze estrelas
sobre a cabeça da águia, formando a Estrela de
David, circundada por uma nuvem; treze estrelas no lema E PLURIBUS
UNUM ("a unidade na diversidade"), que a águia
carrega no bico; treze estrelas e treze bagas no ramo de oliveira
seguro pela garra direita da águia; treze flechas na
garra esquerda; treze faixas no emblema em seu peito. O reverso,
onde aparece a Grande Pirâmide, tem um lema ANNUIT COEPTIS
("Ele olhou com benevolência"), que contém
treze letras, além dos citados treze degraus da pirâmide.
O treze é considerado por alguns como número de
azar ou mau augúrio, e, para outros, portador de boa
sorte. Numerologicamente, a soma resume-se no algarismo 4, que
significa a base, o alicerce, o trabalho, a terra, a forma,
a estabilidade. É um número considerado cármico,
e está associado ao Arcano do Tarot "A Morte"
ou "Arcano Sem Nome" que evoca a idéia do rito
de passagem para uma nova fase. O 13 é o 1 (homem) diante
do 3 (criação), onde busca-se materializar as
idéias ou motivações. Na verdade, tratando-se
de um número cuja essência é material, adapta-se
bem às questões financeiras e políticas.
Quem sabe não seja mesmo um catalisador para a prosperidade?
A
águia, símbolo máximo americano, está
associada ao signo de escorpião, uma alusão ao
poder. Vale a pena dar uma olhada na águia que se encontra
no brasão das lâminas do Tarot, a Imperatriz e
o Imperador. Representa a magnitude espiritual, por voar alto
e fazer seu ninho nos picos mais altos, além de ser uma
ave de rapina que não come animais já abatidos
(prefere alimento fresco). Ainda, por característica,
tem a capacidade de enfrentar as tempestades e voar logo a seguir,
acima das nuvens carregadas. As flechas que ela carrega representam
o poder de penetração, o elemento que atinge o
alvo. Preste atenção que ela carrega na garra
esquerda (o lado do escudo). Isso pode estar representando a
idéia de que: "a melhor defesa é o ataque".
Já
o ramo de oliveira na garra direita (lado da espada), é
muito significativo. A oliveira é uma das árvores
sagradas. Cristo, quando se viu cansado e abatido, foi se refugiar
no Jardim das Oliveiras. O floral Olive (Oliveira) é
indicado para aqueles que se sentem cansados física e
mentalmente. Parece ser uma árvore com poder reabilitador
(os americanos não se dão por vencido facilmente).
As estrelas acima da cabeça, fazendo o desenho da estrela
de Davi, evocam a Luz Suprema. A estrela sempre foi um símbolo
de orientação, além de representar a busca
da verdade. No Tarot, particularmente no baralho de Waite, o
Eremita empunha uma lanterna com uma estrela dentro (a estrela
é a de Davi), significando a Luz da Verdade. O fato dessas
13 estrelas desenharem a Estrela de Davi é muito interessante,
pois muito do poderio americano se deve aos próprios
judeus (vide Hollywood, Dallas, New York, etc). A estrela de
Davi é um entrelaçamento de dois triângulos,
representando forças antagônicas que se harmonizam
(o triângulo da matéria com o triângulo do
espírito). Já dizia o ocultista Aleister Crowley:
"todo homem e toda mulher é uma estrela". O
fato dessas estrelas surgirem através de uma nuvem, sugere
a dissipação das trevas, a dissipação
das ilusões. O círculo em volta da imagem do selo
representa a totalidade, a perfeição. Nada mais
significativo que somar a imagem da pirâmide (ou triângulo)
com o círculo.
Acima
da palavra no centro ONE (um, o homem) contém a inscrição
IN GOD WE TRUST (nós confiamos em Deus), uma frase forte,
carregada de fé, algo que está bem introjectado
no inconsciente americano.
Parece
absoluta a força simbólica contida no dollar,
pois os significados por trás da nota americana potencializam
o inconsciente coletivo de toda humanidade.
Estados
Unidos começaram com 13 colônias e, por isso sua
primeira bandeira apresentava 13 estrelas e listras; sua declaração
de independência foi assinada por 13 pessoas; a pedra
fundamental da primeira Casa Branca foi lançada num dia
13 de outubro.
O
13 parece mesmo ser uma obsessão
nacional. Somente na nota de um dólar é possível
destacar:
-
Um escudo com 13 listras
-
13 estrelas sobre a cabeça da águia
-
13 penas em cada uma de suas asas
-
13 flechas numa de suas garras
-
13 folhas e 13 bagos no ramo de oliveira preso à sua
outra garra
-
13 letras na faixa que ela segura em seu bico (E Pluribus Unum)
-
13 degraus na pirâmide estampada na cédula
