Uma das mais fortes passagens da Mitologia Grega. Sua essência
é o conflito entre dois opostos – o direito de
mãe e o direito de pai. Este naipe irá lidar com
a mente humana em sua forma mais potente: a capacidade de criar
o bem e o mal de acordo com a força de crença
de cada um, de suas convicções e seus princípios.
A história
começa com o crime de Tântalo, rei da Lídia,
rico e poderoso, que gozava do prestígio de compartilhar
a mesa dos deuses. Tanto prestígio, tornou-o arrogante
e mau. Certa vez, serviu aos deuses pedaços do próprio
filho como iguaria rara e exótica. Por este ato de selvageria,
crueldade e escárnio, os deuses amaldiçoaram toda
a sua estirpe. A maldição da Casa de Atreu começa
com a má utilização da mente, o dom representa
a lâmina de dois gumes.
Orestes era o jovem príncipe de Argos, filho de Clitemnestra
e Agamenon. A maldição chegou até ele através
de seus avos e pais. Agamenon, grande herói da guerra
de Tróia e pai de Orestes, após ter ofendido a
deusa Hécate em um de seus bosques, se viu derrotado
com a paralisia de sua armada pela deusa. Foi então,
informado pelo oráculo que deveria pedir perdão
a Hécate e oferecer-lhe um sacrifício a própria
filha Ifigênia. O fato revoltou a mãe da moça
que prometeu vingar a morte da filha, matando o marido. Os exércitos
gregos venceram e Orestes voltou para casa como herói.
No entanto, durante sua ausência, Clitemnestra tramou
uma vingança contra o marido.
Para que
Orestes não interferisse em seus planos, enviou-o para
Fócida. Fez de outro homem seu amante e juntos executaram
Agamenon. Porém, o deus Apolo apareceu diante de Orestes
e ordenou que ele retornasse à casa e fizesse valer a
lei patriarcal, vingando a morte de seu pai.
Orestes
protestou horrorizado, porque aquilo significava ter que matar
a própria mãe. Apolo então, ameaçou-o
com terríveis castigos e até mesmo a loucura,
caso se recussasse a cumprir suas determinações.
Com o coração amargurado, o jovem príncipe
cedeu e concordou em atender às determinações
de Apolo, embora aquilo significasse ser ameaçado de
morte e perseguição pelas Fúrias ou Moiras,
as senhoras do Destino e deusas da Vingança, para quem
o assassinato da mãe era pior dos crimes segundo a lei
matriarcal. Desta maneira, Orestes aceitou o seu destino, e,
em segredo, empreendeu sua viagem de volta a Argos. Ao chegar
no palácio, apenas seu cão o reconheceu a princípio,
mas depois, sua irmã Electra também, dizendo-lhe
o quanto ardia de desejo de vingar a morte do pai. Com a ajuda
da irmã, Orestes primeiro matou Egisto e, em seguida,
sua mãe. Tendo assim obedecido às ordens de Apolo,
julgou estar livre, mas imediatamente as Fúrias o puseram
louco, com pesadelos medonhos e visões tenebrosas. Atormentaram-no
e perseguiram-no por toda a Grécia até a finalmente
exausto e desesperado, Orestes procurou o santuário de
Atena.
A deusa
apiedou-se do jovem príncipe, pois o rapaz não
havia cometido nenhum crime por sua própria vontade,
ou por maldade, mas porque havia sido vítima de duas
forças opostas e destrutivas. Atena, então, convocou
um tribunal de doze juizes humanos para julgar o caso. Seis
deles votaram a favor de Apolo e os outros seis, contra. Atena
teve que interferir e deu seu voto a favor de Orestes, exatamente
no momento em que o rapaz estava para morrer. A deusa então,
fez as pazes com as Fúrias oferecendo-lhes um santuário
próprio e adoração por parte de todos.
Assim Orestes foi libertado da antiga maldição
da Casa de Atreu que se encerrou naquele momento.
